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Acadêmicos do Salgueiro

Salgueiro Escola de Samba Bandeira

"Senhoras do Ventre do Mundo"

Samba Enredo de 2018

compositores: Xande de Pilares, Demá Chagas, Dudu Botelho, Renato Galante, Jassa, Leonardo Gallo, Betinho de Pilares, Vanderley Sena, Ralfe Ribeiro e W Corrêa.
Intérpretes: Tuninho Júnior, Leonardo Bessa e Hudson Luiz

Letra do Samba

SENHORAS DO VENTRE DO MUNDO INTEIRO
A LUZ NO CAMINHO DO MEU SALGUEIRO
A ME GUIAR... VERMELHA INSPIRAÇÃO
FAZ MISTURAR AO BRANCO NESSE CHÃO
NA FORÇA DO SEU RITUAL SAGRADO RIQUEZA ANCESTRAL
DEUSA RAIZ AFRICANA
BENDITA ELA É... E TRAZ NO AXÉ UM CANTO DE AMOR
MAGIA PRA QUEM TEM FÉ NA GIRA QUE ME CRIOU

É MÃE, É MULHER, A MÃO GUARDIÃ
CALOR QUE AFAGA, PODER QUE ASSOLA
NO VALE DO NILO, A LUZ DA MANHÃ
A FILHA DE ZAMBI NAS TERRAS DE ANGOLA

GUERREIRA, FEITICEIRA, GENERAL CONTRA O INVASOR
A DONA DOS SABERES CONFIRMANDO SEU VALOR
ECOOU NO QARITERÊ O SANGUE É MALÊ EM SÃO SALVADOR
OH, MATRIARCA DESSE CAFUNDÓ
A PRETA QUE ME FAZ UM CAFUNÉ
AMA DE LEITE DO SENHOR
A TIA QUE ME ENSINOU A COMER DOCE NA COLHER
A BÊNÇÃO, MÃE BAIANA REZADEIRA
EM MINHA VIDA SEU LEGADO DE AMOR (Ô, Ô)
LIBERDADE É RESISTÊNCIA E À LUZ DA CONSCIÊNCIA
A ALMA NÃO TEM COR

FIRMA O TAMBOR PRA RAINHA DO TERREIRO
É NEGRITUDE… SALGUEIRO HERANÇA QUE VEM DE LÁ (Ô)
NA GINGA QUE FAZ ESSE POVO SAMBAR

Desfile 2018




Enredo 2018

  • Carnavalesco: Alex de Souza
  • Diretor de Carnaval: Alexandre Couto
  • Diretor de Harmonia: Jô Calça Larga, Siro e Tia Alda
  • Intérprete: Leonardo Bessa Hudson Luiz Tuninho Júnior
  • Mestre de Bateria: Marcão
  • Rainha de Bateria: Viviane Araújo
  • Mestre-Sala: Sidcley Santos
  • Porta-Bandeira: Marcela Alves
  • Comissão de Frente: Hélio Bejani
  • Desfile de 2018
  • Posição de desfile: Quarta a desfilar


"Senhoras do Ventre do Mundo"

Sinopse - RESUMO
Ela… brotou do ventre negro da África, seu povo a deu o nome de Dinikinesh (*), seu fóssil de milhões de anos era, aos olhos da ciência, a Eva Africana, que deu à luz a humanidade. A partir daí, a história segue seus passos…

Ela… é bíblica soberana de Sabá, dona do coração de Salomão. Ela… é negra rainha. Regente na Etiópia, construiu palácios, cimentou a cultura e a arte. Contra-atacou os invasores. Foi general da Núbia, liderando exércitos.

Ela… é, no Vale do Nilo, a personificação da autoridade divina, fonte do poder. Guardiã da linhagem real. Como Hórus, lança fogo contra seus inimigos. Ela… É esposa e Mãe do Egito – a Deusa Ísis – amamentando o divino filho, Hórus, inspiração para a imagem da santíssima mãe nos primeiros santuários Cristãos. É também Neith, a Deusa mais velha, que fala com a voz atemporal “Eu sou tudo o que foi ou será.” E Hathor, autogerada, doadora da vida, protetora dos mortos, deusa dos sentidos. Ela… é mestre Hypátia de Alexandria, “a última grande cientista mulher da antiguidade”.

Ela é Merit Pitah a mulher que cria a medicina e a primeira ideia de casas de maternidade na história da humanidade. Ela… é guerreira, é Nzingha de Angola, na luta contra o imperialismo português, e que insistia em ser chamada de rei, ao marchar para o campo de batalha com roupa de varão. É Yaa Asantewa dos Ashanti. A Rainha Mãe de Ejisu, em Gana, que lutou contra os britânicos, e ao seu povo declarou: “Se os homens de Ashanti não irão para frente, então vamos todos nós. Nós, as mulheres, iremos…” Do lado de cá, é a conselheira Acotirene de Palmares, a sagrada mulher que empossou Ganga Zumba. É Teresa do Quariterê. É Maria Felipa, Luiza Mahin, e muitas outras… Ela… é a matriarca nestes cafundós coloniais e imperiais. Neste lado do Atlântico, formou novos laços familiares, irmandades negras, sociedades secretas que deram origem a diversas religiões de matriz africana. É a mãe preta, “ama de leite”, que amamentava o sinhozinho, que estava com dengo e só queria um xodó. É quem trança as madeixas fazendo cafuné, enquanto canta quadras e conta histórias para ninar. Cantigas cantadas em língua nativa, que citavam itans africanos, perpetuados entre nós.

Criou as feiras livres, nas praças e esquinas. Vendedoras de frutas e legumes, equilibrando seus tabuleiros, cestos sobre a cabeça, as primeiras empreendedoras do Brasil. São as filhas de Oya, que pregoam: Ê e abará! Que descendo a alameda da cidade com seus encantos, de saia rodada, sandália bordada, coberta de contas e balangandãs pisando nas pontas, sabe encantar. A “negra forra”, que faturava alguns mil réis, para a compra da carta de alforria das suas irmãs cativas. Doceira, quituteira, quitandeira. Ela… que alimenta, no seu tabuleiro tem… Vatapá, Caruru, Mungunzá. Põe na gamela o tempero, machuca a pimenta da costa e mais uma pitadinha de sal, põe farofa de dendê e veja só no que dá. Tem angu e aluá. Também tem Bobó, Acarajé e Efó. E depois o quindim e doce de leite com amendoim…

Quem… dá fé aos saberes das folhas. uma doutora ou curandeira. Ervas pra curar, ervas pra benzer. Mas se é canjerê, ela “corta” quebranto, invoca o seu santo para lhe proteger. No axé, ela é Yamin, Preta Velha, Agbá, Mametu, Nochê… Mãe que prepara o ebó para o Oboró e para a Yapeabá. E cultua no Gèlèdè que reverencia e apazigua as Mães Primeiras, as “Senhoras dos Pássaros da Noite”, as energias geradoras da vida, e controladoras da morte. Para assegurar o equilíbrio do mundo. Sabe que para o povo africano: “tudo aquilo que o homem vier a conseguir na terra, o será através da mão da mulher”.

Ela… que seguindo os mestres e griôs, na tradição oral africana, fortaleceu as lutas de libertação. E através da palavra escrita, eternizou sua história. Ela… autora negra, guardiã dos valores ancestrais, desde Maria Firmina dos Reis, a primeira romancista do Brasil à Carolina Maria de Jesus, que registrava o cotidiano da comunidade, ao comparar a favela e seus cafofos, ao quarto de despejo de uma cidade. Estas e demais escritoras, superaram imposições sociais ao figurarem o seleto meio literário do país. Ela… é memória do mundo; deusa; rainha; guerreira; sacerdotisa; feiticeira, a matriarca, que trabalha e sustenta a prole sozinha, seu nome é resiliência. Mãe, irmã, amante e companheira. Velha guarda, baiana, passista, porta bandeira.

Ela… cheia de graça, bendita mulher e seu ventre, com seus formosos pássaros, do alto dos ceús, olhai por nós! * Significa “você é maravilhosa” na língua Amharic (semiótica Afro asiática – etíope). O achado arqueológico ficou internacionalmente conhecido como fóssil Lucy, aleatoriamente escolhido pelos arqueólogos europeus.

ROTEIRO PARA OS COMPOSITORES 

ABERTURA

A Terra-Negra, a grande “Mãe Universal”. As forças ancestrais que geram e nutrem o mundo. O ventre africano, que deu à luz à humanidade.

1º SETOR

A linhagem das rainhas negras, que consolidaram a cultura e a arte e lideraram exércitos.

2º SETOR

A personificação da autoridade divina, fonte do poder no Vale do Nilo. Esposas e soberanas; deusas mães de Kemet (Egito).

3º SETOR

Guerreiras na luta contra o imperialismo europeu no campo de batalha africano. As heroínas quilombolas e as líderes das rebeliões históricas.

4º SETOR

As matriarcas que formaram novos laços familiares: As irmandades negras. As “mães pretas” que acalentam. As primeiras empreendedoras do Brasil: doceira, quituteira, quitandeira.

5º SETOR

As que deram origem à diversas religiões de matriz africana. Donas dos saberes das ervas. Doutoras e curandeiras. No axé cultuam, reverencia, e apazigua, as “Mães Primeiras”, as “Senhoras dos Pássaros da Noite”.

6º SETOR

As escritoras, que perpetuam os valores culturais, registrando em livros suas lutas e dura realidade.

  • 2009Campeã
  • 1993Campeã
  • 1975Campeã
  • 1974Campeã

Ficha Técnica

  • Fundação: 05/03/1953
  • Cores: Vermelho e Branco
  • Presidente: Regina Celi Fernandes
  • Presidente de Honra: Jô Calça Larga, Siro e Tia Alda
  • Quadra: Rua Silva Teles, 104 - Andaraí - Rio de Janeiro - RJ - CEP 20541-110
  • Ensaios:-
  • Barracão: Cidade do Samba (Barracão nº 08) - Rua Rivadávia Correa, nº 60 - Gamboa - CEP: 20.220-290/td>
  • Web site: www.salgueiro.com.br
  • Imprensa: Flávia Cirino 

A História do Salgueiro

Primeiros anos Em seu primeiro desfile, com o enredo "Romaria à Bahia" em 1954, a Acadêmicos do Salgueiro surpreendeu o público e alcançou a terceira colocação, à frente da Portela.
O primeiro presidente do Salgueiro foi Paulino de Oliveira e nos anos que se seguiram, a escola ousou ao tratar de enredos que colocassem os negros em destaque, e não como figurantes. É exemplo marcante desse novo estilo, Navio Negreiro (1957). Mas foi em 1958, sob a presidência de Nélson Andrade, que a agremiação adotou o lema que traz até hoje: nem melhor, nem pior, apenas uma escola diferente. Foi Nélson Andrade o responsável pela ida do carnavalesco Fernando Pamplona para o Salgueiro, em 1960, dando início a uma grande mudança no visual da escola. Pamplona criou uma equipe formada por ele, o casal Dirceu e Marie Lousie Nery, Arlindo Rodrigues e Nilton Sá, revolucionou a estética dos desfiles das escolas de samba. Essa tendência foi reforçada com a chegada de Fernando Pamplona e, posteriormente, de Arlindo Rodrigues, que resgataram personagens negros que enriqueceram a história do Brasil, embora fossem pouco retratados nos livros escolares, como Zumbi dos Palmares (Quilombo dos Palmares - 1960), Xica da Silva (Xica da Silva - 1963) e Chico Rei (Chico Rei - 1964).

1963 - "Xica da Silva"

No primeiro desfile realizado na Avenida Presidente Vargas, a Acadêmicos do Salgueiro foi a nona escola a se apresentar pelo Grupo 1. Mais uma vez a escola optou por homenagear uma personalidade desconhecida do grande público na época, Chica da Silva. A ideia de desenvolver tal enredo partiu do carnavalesco Arlindo Rodrigues. Até mesmo Fernando Pamplona desconhecia a personagem. Arlindo ficou responsável pelo desfile, enquanto Pamplona ajudou a escolher o samba-enredo. Pela primeira vez, na história do carnaval carioca, um enredo foi centrado em uma personalidade feminina. Também pela primeira vez, um desfile de escola de samba apresentava uma ala coreografada. Com perucas, luvas e roupas de época, componentes da escola representavam doze pares de nobres dançando polca. A ala "o minueto" foi coreografada por Mercedes Baptista, a primeira bailarina negra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Na época, a ideia causou polêmica e dividiu opiniões, recebendo críticas de sambistas mais tradicionais. Com o passar do tempo, as coreografias em alas e alegorias foram incorporadas por outras escolas. Isabel Valença, esposa do então presidente Osmar Valença, desfilou como destaque de chão representando Chica da Silva. Sua fantasia ostentava uma peruca de 1,10 metros, e um vestido com cauda de sete metros de comprimento. A luxuosa fantasia de Isabel fez tanto sucesso que ela foi convidada para participar do concurso de fantasias do Teatro Municipal, no ano seguinte, se tornando a primeira mulher negra a vencer o concurso. Isabel desfilaria durante anos como destaque de chão do Salgueiro, sempre ostentando fantasias caras, de luxo. O cineastra Cacá Diegues, que assistiu ao desfile ao vivo, afirmou que a apresentação foi uma das inspirações para dirigir o filme Xica da Silva, rodado em 1976. Ao final de seu desfile, a escola recebeu gritos de "já ganhou". Na apuração das notas, o favoritismo foi confirmado e a Acadêmicos do Salgueiro conquistou o seu segundo título de campeã do carnaval carioca. Desta vez, sozinha. No ano de 2013, o Jornal Extra recriou o desfile em um show especial em homenagem à Acadêmicos do Salgueiro

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