Paraíso do Tuiuti - Escola de Samba - Samba Enredo English

Paraíso do Tuiuti Samba School flag

Ouça aqui o Samba Enredo da Paraíso do Tuiuti apenas clicando no botão do player ao lado.

 

GRES Paraíso do Tuiuti

FICHA TÉCNICA

Fundação: 05/04/1952

Cores:: Amarelo e azul pavão

Presidente de Honra: Renato Thor

Presidente: Jorge Honorato

Quadra: Campo de São Cristóvão, 33  

Ensaios: Campo de São Cristóvão, 33  
Barracão: Cidade do Samba
(Barracão nº 03) 

Imprensa: Eduardo Hollanda


Paraíso do Tuiuti 2018

Enredo:
"Carnavaleidoscópio Tropifágico"

Carnavalescos:
Jack Vasconcelos

Diretor de Carnaval: Leandro Azevedo

Intérprete: Daniel Silva

Mestres de Bateria: Mestre Ricardinho

Rainha de Bateria: Pâmela Santos

Mestre-Sala: Vinicius

Porta-Bandeira: Jakelyne

Comissão de Frente:
Junior Scarpin

Desfile de 2018

Posição de desfile: Segunda escola a desfilar no dia 06/02/2018


 

 


Paraíso do Tuiuti

Enredo:
"Carnavaleidoscópio Tropifágico"

Autores: Carlinhos Chirrinha, Rafael Bernini, Luís Caxias, Wellington Onirê e Fernandão
Intérprete:

Samba Enredo

 

É TROPICÁLIA OLHA AÍ... É TUIUTI
MEU PARAÍSO NÃO EXISTE NADA IGUAL
ORA POIS, POIS... SOU TUPINIQUIM
NO PINDORAMA TODO DIA É CARNAVAL
BRASIL RIQUEZA DA MÃE NATUREZA
MEU CHÃO MORADA DA FELICIDADE
SE FOR PECADO... TÔ CONDENADO
EU SOU AMANTE DESSA LIBERDADE
DAQUELA LEI SURGIU UM LAÇO DE UNIÃO
MACUNAÍMA DEVORANDO A ARTE
CORAÇÃO BALANÇOU MUITO SAMBA NO PÉ
LÁ NO MORRO NASCEU NOSSO PARANGOLÉ
A REVOLTA SE FEZ, A SEMENTE BROTOU
QUEM VESTIU COLORIU...POR AÍ SE ESPALHOU

Ê BAHIA... É LINDO O MOVIMENTO MUSICAL
E SEGUE A MASSA PRA VIVER ESSA AVENTURA
QUANTA MISTURA... INTERCÂMBIO CULTURAL
E NA TERRA DA GAROA... TROPICALISTA
DEBOCHANDO NUMA BOA... SALVE O ARTISTA
DEGUSTAR E CONSUMIR FOI A OPÇÃO
TANTAS FLORES NOS JARDINS
ENCARANDO A OPRESSÃO
MAS RAIOU O SOL
ILUMINANDO OS VERSOS DA CANÇÃO

ALÔ POVO BRASILEIRO... AQUELE ABRAÇO!
CAMINHANDO DEIXO O SONHO ME LEVAR
A ESPERANÇA QUE BRILHA NO MEU OLHAR
É O SEGREDO DESSA VIDA


Enredo de 2018

"Carnavaleidoscópio Tropifágico"

Introdução

“Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português”
Erro de português

(Oswald de Andrade)

Um poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia...

Quando Pero Vaz Caminha descobriu que as terras brasileiras eram férteis e verdejantes, escreveu uma carta ao rei: “tudo que nela se planta, tudo cresce e floresce”. Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade. Aqui, o Terceiro Mundo pede a bênção e vai dormir entre cascatas, palmeiras, araçás e bananeiras. Alegria e preguiça. Pindorama, país do futuro.

Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós.

Contra as sublimações antagônicas trazidas nas caravelas, contra todas as catequeses, povos cultos e cristianizados:

- Eu, brasileiro, confesso minha culpa, meu pecado. Minha fome.

Revolução Caraíba, maior que a Revolução Francesa e o bonselvage nas óperas de Alencar, cheio de bons sentimentos portugueses. Só a Antropofagia nos une.
Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.

Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago. Única lei do mundo. Sou Abaporu faminto. Tupi, or not tupi? Thatisthequestion.
#somostodosmacunaíma.

Contra o aculturamento. Contra os bons modos. Contracultura. Por uma questão de ordem. Por uma questão de desordem.

Não anuncio cantos de paz, nem me interessam as flores do estilo. Tropical melancolia de uma terra em transe onde reina o rei da vela. A burguesia exige definições. Oh!
Good business!

No coração balança um samba de tamborim. Em Mangueira é onde o samba é mais puro e os parangolés incorporam a revolta. Eu me sinto melhor colorido. Quem não dança não fala. Faz do morro marginal Tropicália.

Viva a mulata, ta, ta, ta, ta.

Eu organizo o movimento com água azul de Amaralina, coqueiro, brisa e fala nordestina. Solto os panos sobre os mastros no ar. Aventura em busca do som universal. Os olhos cheios de cores. Pego um jato, viajo, arrebento. Com o roteiro do sexto sentido.

Viva a Bahia, ia, ia, ia, ia.

Pela experimentação globalizada. Pela devoração psicodélica do rock’n’roll, da musica elétrica, das conquistas espaciais, da cultura de massa. Pelo encontro dos extremos. Pela união da precariedade com o moderno, do folclore com a ciência, do cafona com a vanguarda, do popular com o erudito.

São, São Paulo meu amor. Foi quando topei com você que tudo virou confusão. Dando vivas ao bom humor num atentado contra o pudor. Hospitaleira amizade. Brutalidade jardim. Ironia crítica do deboche sentimental. Porém, com todo defeito te carrego no meu peito. O avanço industrial vem trazer nossa redenção.

Eu preciso cantar. Em cantar na televisão. Eu nasci pra ser o superbacana com a capa do Rei do Mau Gosto. A elegância de um dromedário.

Você precisa saber de mim. Coma-me! Por entre fotos e nomes, jornais e revistas, nas paradas de sucesso. Por telas, formas e grafismos do folclore urbano. Coma-me!

Minha terra tem palmeiras onde sopra o vento forte. Vivemos na melhor cidade da América do Sul. Soyloco por ti, América, soy loco por ti de amores. Tengo como colores la espuma blanca de Latinoamérica. Esse povo, dizei-me, arde!

E no jardim os urubus passeiam a tarde inteira entre os girassóis. Eles põem os olhos grandes sobre mim. Aqui, meu pânico e glória. Aqui, meu laço e cadeia.Mamãe, mamãe, não chore. A vida é assim mesmo. Eu quis cantar minha canção iluminada de sol.

Você fica, eu vou. Quem ficar, vigia.Todo o povo brasileiro, aquele abraço! Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço enquanto meus olhos saem procurando por discos voadores no céu.

Caminhando contra o vento vou sonhando até explodir colorido.

A alegria é a prova dos nove. No matriarcado de Pindorama. Nunca fomos catequizados. Fizemos foi o Carnaval. Não seremos belos, recatados e do lar.

Eu oriento o carnaval. Eu vim para confundir e não para explicar. Buzino a moça, comando a massa, dou as ordens no terreiro. Minha Tropicália Maravilha faz todo o universo sambar. Todo mês de fevereiro, aquele passo...

Viva a banda, da, da

Carmen Miranda, da, da, da, da...

Eu vou pelo mundo em milhares de cores. Eu vou! Porque não? Porque não?
Porque não?

Jack Vasconcelos
Carnavalesco

Em Rio de Janeiro, ano 460 da deglutição do Bispo Sardinha.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
ANDRADE, Oswald. A utopia antropofágica. São Paulo: Globo, 1990.
BUENO, André. Pássaro de Fogo no Terceiro Mundo – o poeta Torquato Neto e sua época. Rio de Janeiro: 7Letras, 2005.
DUARTE, Rogério. Tropicaos. São Paulo: Azougue, 2003.
DUNN, Christopher. Brutalidade Jardim: a Tropicália e o surgimento da contracultura brasileira. São Paulo: Editora UNESP, 2009.
FAVARETTO, Celso F. Tropicália: alegoria, alegria. São Paulo: Ateliê Editorial, 1996.
JACQUES, Paola Berenstein. Estética da Ginga – A arquitetura das favelas através da obra de Hélio Oiticica. Rio de Janeiro: Casa da Palavra/RIOARTE, 2001.
RODRIGUES, Jorge Caê. Anos fatais: design, música e tropicalismo. Rio de Janeiro: 2AB, 2007.
TEIXEIRA, Duda; NARLOCH, Leandro. Guia Politicamente Incorreto da América Latina. São Paulo: LeYa Brasil, 2011.
TELES, G.M. Vanguarda europeia e modernismo brasileiro. Petrópolis: Vozes, 1982.
XAVIER, I. Alegorias do subdesenvolvimento: cinema novo, tropicalismo, cinema marginal. São Paulo: Editora Brasiliense, 1993.

Carnavalesco: Jack Vasconcelos

 


A História da Paraíso do Tuiuti

A história da Paraíso do Tuiuti remonta às antigas agremiações do bairro, Unidos do Tuiuti, que participava do carnaval desde a década de 1930, e Paraíso das Baianas. Após a Segunda Guerra Mundial, a Unidos do Tuiuti desapareceu, e em seu lugar nasceu o Bloco dos Brotinhos. A comunidade do morro, sem dinheiro para acompanhar um carnaval mais sofisticado, preferia sair no bloco, desprezando a Paraíso das Baianas. Foi então que um grupo de sambistas se reuniu, entre eles, Nélson Forró e Júlio Matos, e resolveu terminar com o bloco e também com a Paraíso das Baianas, fundando a 5 de abril de 1954 a Paraíso do Tuiuti. A nova agremiação ganhou as cores amarelo (herdado da Paraíso das Baianas) e azul (herdado da Unidos do Tuiuti).
A atuação da Paraíso, de início, foi discreta, mas em 1968, com o enredo de Júlio Matos homenageando o bairro de São Cristóvão, tira o primeiro lugar no Grupo 3 e vai para o Grupo 2. No ano seguinte consegue o terceiro lugar no Grupo 2, com um ponto atrás da Unidos do Jacarezinho, vice-campeã.
De fato, até o início da década de 1980 quase ninguém ouviu falar da escola, mas a partir de então, a escola viveu um momento de grande euforia, graças ao empenho da carnavalesca Maria Augusta Rodrigues, que deu o título do Grupo A para a escola que não tinha patrono, fenômeno típico das grandes escolas, que conferem fama e prestígio a quem delas se aproxima. A Paraíso do Tuiuti não pôde contar senão com a pequena subvenção oficial para fazer frente aos altos gastos que o Carnaval, com as características que tomou nos nossos dias, exige.
No final da década dos anos 1990, a escola não cessou de crescer e fortalecer-se, até que, convidada a participar do Grupo A em 2000, apresentou o enredo sobre Dom Pedro II e se sagrou vice-campeã, no desempate com a escola Em Cima da Hora, adquirindo o direito de desfilar em 2001 no Grupo Especial.
No Grupo Especial, a escola contou a história de um mouro que saiu da Espanha, em direção à Meca e acabou no Brasil, guerreando no Quilombo dos Palmares. Considerada como zebra do grupo de acesso A em 2000, a escola a adotou como mascote, e as trouxe no África Livre. A escola teve muitos problemas com seus carros alegóricos.
Em 2002, de volta ao Grupo de Acesso, a Tuiuti encerrou o desfile com o dia amanhecendo, numa trégua da chuva e poucas pessoas nas arquibancadas. O enredo era uma homenagem ao carnavalesco Arlindo Rodrigues, célebre por antigos carnavais no Salgueiro e Imperatriz.
Em 2003, a Tuiuti se destacou no grupo de acesso. Com o enredo em homenagem ao centenário do pintor Cândido Portinari, apresentou um criativo desfile desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros. A comissão de frente entrou com saias de pincéis giratórios, vestida de paleta de tinta em uma aquarela. No abre-alas,a grande coroa, símbolo da escola, feita com 7 500 latas de tinta, inclusive com tampas revestindo o piso, gerando um belo efeito visual. O carro com esculturas de negros carregando sacos de café, sem figuras vivas e com canhões de luz de baixo para cima, também causava impacto, assim como a alegoria que trazia espantalhos de campos de milho que coreografavam para assustar os corvos. Apesar do terceiro lugar, o desfile foi tão surpreendente que a Unidos da Tijuca convidou Paulo Barros para desenvolver o enredo da escola do Borel em 2004 no Grupo Especial, escrevendo nova história do carnaval carioca.
Em 2004, mais uma vez fechando os desfiles do grupo de acesso, a Tuiuti reverenciou poeta Vinícius de Moraes, desenvolvido pelo carnavalesco Jaime Cezário, mas não se destacou.
Em 2005, mais uma homenagem pintou na avenida. O Tuiuti exaltou o jornalista Ricardo Cravo Albim, mas acabou rebaixada pro Grupo de Acesso B.
Nos anos seguintes, tentou subir de grupo, mas somente em 2008, com um enredo falando sobre o sambista Cartola, conseguiu o vice-campeonato e novamente retornou para o Grupo de acesso A em 2009.
Em 2009, o Tuiuti trouxe roletas, dados e cartas cheios de cores e brilhos para reviver a época de luxo e riqueza que marcou o imponente Cassino da Urca.
Para o carnaval 2010, a escola trouxe como enredo o mesmo enredo de 1990, uma homenagem a escritora Eneida de Moraes. No entanto, não foi uma reedição, mas sim uma releitura, onde foram acrescentadas novas ideias, como uma menção ao Carnaval virtual. A escola acabou, em 2010, na 12ª posição sendo rebaixada para o ano de 2011 ao Grupo B, juntamente com a Unidos de Padre Miguel. Após o rebaixamento a escola precisou deixar sua quadra, devido a uma liminar imposta pelo DER-RJ.
Na sua volta ao Grupo B, a escola de São Cristóvão trouxe como enredo O Mais Doce Bárbaro - Caetano Veloso sobre o cantor Caetano Veloso, do carnavalesco Eduardo Gonçalves. Fez um desfile candidato a ganhar, inclusive com o homenageado desfilando. Daniel Silva foi o intérprete e Gracyanne, rainha de bateria. Última escola a desfilar na terça-feira, na Sapucaí, com esse desfile, obteve o título do Grupo de acesso B.
Para 2012, a escola contratou o carnavalesco Jack Vasconcelos, que estava na Viradouro, e o Mestre Celinho (ex-Unidos da Tijuca), que estava afastado do carnaval há alguns anos. Intitulado "A tal mineira", o enredo seria sobre Clara Nunes. Terminou na última colocação, mas, devido a uma manobra que cassou os direitos da LESGA, permaneceu no grupo de acesso A. Em 2013, seguiu na mesma linha de homenagens, desta vez ao humorista Chico Anysio.
Em agosto de 2013, Renato Thor, abdicou de ser presidente da agremiação, para se dedicar à vice-presidência da LIERJ, deixando em seu lugar seu pai, Jorge Honorato . Este trouxe o experiente carnavalesco Severo Luzardo, para reeditar o clássico samba-enredo Kizomba - A festa da Raça, com o qual a Vila Isabel sagrou-se campeã do Grupo Especial em 1988. A poucos meses do desfile, a escola chegou a cogitar dispensar Claudinho Tuiuti do comando da bateria , o que acabou não ocorrendo. Bastante elogiada em seu desfile, a escola se manteve no mesmo grupo para o ano seguinte.

Os Títulos da Escola

ANO COLOCAÇÃO
1955 10° lugar
1956 12° lugar
1957 17° lugar
1958 3° lugar
1959 15° lugar
1960 11° lugar
1961 14° lugar
1962 Não desfilou
1963 18° lugar
1964 3° lugar
1965 8° lugar
1966 15° lugar
1967 Não desfilou
1968 Campeã
1969 3° lugar
1970 7° lugar
1971 6° lugar
1972 3° lugar
1973 5° lugar
1974 12° lugar
1975 7° lugar
1976 8° lugar
1977 17° lugar
1978 6° lugar
1979 6° lugar
1980 Campeã
1981 9° lugar
1982 Vice-Campeã
1983 8° lugar
1984 11° lugar
1985 3° lugar
1986 4° lugar
1987 Campeã
1988 6° lugar
1989 6° lugar
1990 9° lugar
1991 11° lugar
1992 10° lugar
1993 11° lugar
1994 10° lugar
1995 5° lugar
1996 3° lugar
1997 Campeã
1998 4° lugar
1999 3° lugar
2000 Vice-Campeã
2001 14° lugar
2002 4° lugar
2003 4° lugar
2004 8° lugar
2005 9° lugar
2006 2° lugar
2007 3° lugar
2008 Vice-Campeã
2009 7° lugar
2010 12° lugar
2011 Campeã
2012 9° lugar
2013 13° lugar
2014 8° lugar
2015 5° lugar
2016 Campeã